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Liderança

Quando o problema não é o trabalho, mas a liderança

Nem sempre o stress profissional vem da carga de trabalho. Muitas vezes, a forma como somos liderados é o que transforma o dia a dia numa fonte contínua de esgotamento e ansiedade.

Quando o problema não é o trabalho, mas a liderança

Quando o problema não está na profissão

Quando o problema não está na profissão

Há trabalhos que nos cansam. Há trabalhos que nos desafiam. E há ambientes de trabalho que nos fazem sentir constantemente em alerta. Nem sempre o problema está na profissão ou na quantidade de trabalho. Por vezes, está na forma como somos liderados. Uma liderança marcada por pressão constante, controlo excessivo, falta de reconhecimento ou pouca autonomia pode transformar o dia a dia profissional numa fonte contínua de stress. Quando esta realidade se prolonga, pode contribuir para ansiedade, exaustão, desmotivação e, em alguns casos, burnout.

Quando a liderança começa a pesar

Quando a liderança começa a pesar

Uma liderança pouco saudável nem sempre é evidente. Pode estar presente em comportamentos que, isoladamente, parecem pequenos. Um exemplo é o micromanagement: o controlo constante sobre aquilo que os colaboradores fazem, como fazem e até como organizam o seu trabalho. É sentir que temos de pedir autorização para tudo, que cada decisão é questionada ou que existe alguém permanentemente a verificar se estamos a fazer "como deve ser". Também pode existir pressão constante: objetivos que parecem nunca estar suficientemente cumpridos, comparações frequentes entre colegas ou a sensação de que é necessário fazer sempre mais para provar o nosso valor. Ou falta de reconhecimento: o erro é rapidamente identificado, mas o esforço e o trabalho bem feito passam despercebidos. A estas situações podem juntar-se a falta de clareza, pouco apoio ou a dificuldade em estabelecer limites. Quando estes fatores se acumulam, o trabalho pode deixar de ser apenas exigente e passar a ser emocionalmente desgastante.

Quando o trabalho começa a ocupar tudo

Quando o trabalho começa a ocupar tudo

Esta questão tornou-se particularmente evidente para mim durante a minha experiência profissional em lojas. Durante o meu percurso académico, fui também colaboradora em contexto de retalho. Vivi de perto a pressão dos objetivos, o ritmo de trabalho e diferentes formas de liderança. Mas tive também oportunidade de observar pessoas diferentes a reagirem ao mesmo contexto. Vi pessoas para quem o trabalho se tornou praticamente o centro da vida. Outras que procuravam constantemente corresponder às expectativas dos superiores, ultrapassando os próprios limites: ficavam mais tempo, assumiam mais responsabilidades ou tinham dificuldade em dizer que não. Ao mesmo tempo, observei colegas que cumpriam as suas responsabilidades, mas conseguiam manter outras áreas da vida igualmente presentes: família, amigos, interesses, descanso ou simplesmente tempo para si próprios. Esta experiência fez-me perceber algo que hoje considero particularmente importante: o trabalho deve fazer parte da nossa vida, mas não precisa de ocupar toda a nossa vida. Ter espaço para desligar, descansar e investir noutras áreas pode ser essencial para recuperar do stress e manter uma relação mais equilibrada com o trabalho.

Liderar também é cuidar

Liderar também é cuidar

Uma liderança saudável não significa ausência de exigência. Todas as organizações têm objetivos, responsabilidades e momentos de maior pressão. A diferença pode estar na forma como essa exigência é vivida. Liderar de forma saudável passa por comunicar com clareza, dar autonomia, reconhecer o trabalho, ouvir as dificuldades da equipa e respeitar limites. Significa também compreender que um colaborador não precisa de estar permanentemente disponível, nem de sacrificar todas as outras áreas da sua vida, para demonstrar compromisso. O burnout não é simplesmente "estar cansado". A Organização Mundial da Saúde define-o como resultado de stress crónico no trabalho que não foi gerido com sucesso, associado a exaustão, maior distanciamento do trabalho e redução da eficácia profissional. Por isso, cuidar da saúde mental no trabalho não é apenas ensinar os colaboradores a lidar melhor com o stress. É também olhar para os contextos que produzem esse stress. Compromisso com o trabalho não deve significar ausência de limites. Uma boa liderança não elimina os dias difíceis. Mas pode fazer com que sejam vividos com apoio, confiança e segurança, em vez de medo, ansiedade e desgaste constante. Cuidar da saúde mental no trabalho começa também pela forma como escolhemos liderar.